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Vibração total, componente de rotação 1x e fase: o que a equilibragem resolve exatamente

O ventilador começou a zumbir depois da limpeza da roda. Coloca um sensor no apoio do rolamento, e o aparelho indica 9,8 mm/s. Equilibrar ou procurar outra causa? A resposta esconde-se em três números que o aparelho dá ao mesmo tempo.

Atualizado em 27 de agosto de 2026 · por AXILINE · Vila Nova de Gaia

Em resumo: A vibração total em mm/s RMS soma todas as fontes ao mesmo tempo. A componente de rotação 1x é a parte exatamente na frequência de rotação, e é nela que o desequilíbrio se manifesta. A equilibragem reduz apenas o 1x, por isso observe a proporção: se o 1x for superior a 70–80 % do total, as massas vão resultar; se for inferior a metade, a vibração principal vem de outra coisa. A fase do 1x não serve para encontrar o ponto pesado, mas para acompanhar a reação da máquina à massa de prova.

Três números no ecrã que não se podem confundir

O aparelho mede a vibração de forma contínua, mas apresenta-a em formas diferentes. No Balanset-1A, vê quatro campos por cada canal: a vibração total, a componente de rotação, a sua fase e a rotação. Cada campo responde a uma pergunta diferente.

Vibração total (global), mm/s RMS

Tudo o que faz a máquina abanar na banda medida, num único número (RMS — valor eficaz). Aqui misturam-se o desequilíbrio, o desalinhamento, os rolamentos, as folgas, a ressonância, o escoamento, um equipamento vizinho através da fundação. É por este número que avalia o estado da máquina e o compara com as zonas A/B/C/D. Use sempre a mesma banda, normalmente 10–1000 Hz.

Componente de rotação 1x, mm/s RMS

A parte da vibração exatamente na frequência de rotação, um ciclo por volta. O aparelho isola-a a partir do impulso do tacómetro laser sobre a marca refletora. O desequilíbrio está aqui, e só aqui. Na interface, são os campos V1o e V2o, em contraste com os totais V1s e V2s.

Fase do 1x, graus

O desvio da sinusoide do 1x em relação ao impulso do tacómetro. Campos F1 e F2. O valor em si não diz onde está a massa em excesso. O que importa é a variação da fase e a diferença de fase entre pontos.

Rotação, rpm

Verifique-a primeiro. Se saltar de 1450 para 1490, a marca está suja ou o tacómetro vê dois reflexos por volta. Enquanto a rotação for instável, a amplitude e a fase do 1x não são fiáveis, e a equilibragem não tem sentido.

Sem o sensor de fase, o aparelho só mostra a vibração total. Não é possível isolar nem o 1x nem a fase — não há a partir de quê. Por isso, uma marca refletora limpa no veio não é uma formalidade, é uma condição de trabalho.

Porque é que a equilibragem reduz apenas o 1x

O desequilíbrio é uma massa deslocada do eixo de rotação. Cria uma força centrífuga que roda com o rotor e, por isso, empurra o apoio uma vez por volta. Daqui vem o pico no 1x. A massa de correção cria uma segunda força igual, em oposição de fase, e as duas anulam-se.

Daqui decorre uma limitação simples. A massa atua sobre uma força que se repete uma vez por volta. Sobre uma vibração de natureza e frequência diferentes, não tem qualquer efeito. O desalinhamento carrega os apoios duas vezes por volta, um defeito de rolamento bate na sua própria frequência, um parafuso solto dá impactos e todo um pente de harmónicas. Pode equilibrar o rotor na perfeição e não ver qualquer alteração na vibração total.

É exatamente por isso que o manual do aparelho coloca, antes da equilibragem, uma medição em modo de vibrómetro. Esta medição tem um único objetivo: confirmar que a vibração é composta sobretudo pela componente 1x.

Fonte de vibraçãoComo se apresentaA equilibragem elimina?
Desequilíbrio do rotorpico de 1x dominante, fase estávelSim, é essa a sua função
Desalinhamento de eixos1x mais 2x percetível, vibração axial elevada, desvio de fase de cerca de 180° ao longo do acoplamentoNão. É necessário o alinhamento de eixos
Fixação solta, pé molepente 1x, 2x, 3x e seguintes, fundo de ruído elevado, fase salta dezenas de grausNão. Aperte a fixação, corrija o apoio e os calços
Defeitos de rolamentospicos de alta frequência, não múltiplos da rotação, ruído em torno da ressonância do rolamentoNão. Planeie a substituição
Ressonância do apoio ou da estruturapico de amplitude acentuado numa faixa estreita de rotação, rotação da fase do 1x de cerca de 180° na desaceleração livreNão. Altere a rigidez, a massa ou a rotação de trabalho
Escoamento, roçamento, aerodinâmicafrequência de passagem de pás (número de pás × frequência de rotação), ruído de banda largaNão

Critério prático: calcule a parcela do 1x

Tome dois números do mesmo ponto e calcule a relação entre eles. Primeiro exemplo: total 12,0 mm/s, rotação 11,2 mm/s. A parcela do 1x é de cerca de 93 %, o desequilíbrio cria quase toda a vibração, a equilibragem dá resultado. Segundo exemplo: total nos mesmos 12,0 mm/s, mas rotação 2,8 mm/s. A parcela é de cerca de 23 %. Aqui coloca as massas, reduz o 1x para 0,5 mm/s e obtém um total de 11,7 mm/s. O cliente vai dizer que nada mudou, e tem razão.

Oriente-se pela tabela abaixo. É uma regra prática, não uma norma, mas poupa arranques e reputação.

Parcela do 1x no totalO que significaO que fazer
acima de 80 %a vibração é criada quase inteiramente pelo desequilíbrioEquilibre. Vai ver o efeito no arranque de controlo
50–80 %há desequilíbrio, mas atua também uma segunda fonteEquilibre, mas avise antecipadamente: parte da vibração vai ficar
30–50 %o desequilíbrio é secundárioPrimeiro o espectro e a mecânica. A equilibragem como segunda etapa
abaixo de 30 %o desequilíbrio quase não tem influênciaNão gaste arranques. Procure a causa no espectro e na fixação

Compare o total e o 1x sempre no mesmo ponto, na mesma direção e à mesma rotação. O total na horizontal e o 1x na vertical dão uma relação sem sentido. Mantenha o sensor na horizontal-radial, no apoio do rolamento, e não o desloque entre medições.

Fase: o que mostra e o que não mostra

O equívoco mais frequente é este: o aparelho indicou 47°, logo o ponto pesado está a 47° da marca. Não é assim. A leitura da fase depende de onde está o sensor, para que lado aponta, em que frente do impulso o tacómetro dispara, da rigidez dos apoios e da proximidade da ressonância. A mesma massa em excesso dá graus diferentes em máquinas diferentes.

A fase funciona como um indicador de variação. O aparelho regista o vetor do 1x antes da massa de prova, regista-o depois e calcula a diferença. Essa diferença é o coeficiente de influência, ou seja, a resposta do sistema concreto «rotor — apoios — base» a uma massa conhecida num ponto conhecido. Depois, o programa resolve o problema inverso e indica a massa e o ângulo de correção. O ângulo é contado a partir do local da massa de prova, não a partir da marca do tacómetro.

A segunda função da fase é o diagnóstico. A diferença de fase entre dois pontos diz mais do que qualquer amplitude.

Não compare fases obtidas com montagens diferentes do tacómetro ou depois de deslocar a marca. A referência perdeu-se, e todos os graus deslocaram-se por um valor constante. É quase impossível detetar isto só pelos números.

O que fazer quando o 1x é pequeno e a máquina continua a abanar

É uma situação normal, e não significa que a deslocação foi em vão. Significa que a equilibragem não é a ferramenta certa. A partir daqui, trabalha com o espectro.

Sequência de trabalho no local

  1. 01

    Medição em modo de vibrómetro

    Coloca os sensores nos apoios dos rolamentos, o tacómetro na marca refletora. Liga a máquina à rotação de trabalho. Regista o total, o 1x, a fase e a rotação nos dois apoios. Mantém uma única direção, normalmente horizontal-radial.

  2. 02

    Calcula a parcela do 1x

    Divide o 1x pelo total em cada ponto. Se obtiver mais de 80 % nos dois apoios, avança. Se obtiver 20–30 %, para e passa ao espectro.

  3. 03

    Observa o espectro

    Procura o que domina: 1x, 2x, pente de harmónicas ou frequências altas. Ao mesmo tempo, verifica se a frequência de rotação no espectro coincide com a leitura do tacómetro.

  4. 04

    Verifica a mecânica

    Aperto dos parafusos, pé mole, folgas, estado dos apoios e da fundação, tensão das correias. São cinco minutos de trabalho que eliminam metade das equilibragens inúteis.

  5. 05

    Exclui a ressonância

    Regista a desaceleração livre e observa se há um pico de amplitude acentuado com rotação de fase perto da rotação de trabalho. Não vale a pena equilibrar em ressonância, o resultado não se mantém.

  6. 06

    Massa de prova

    Coloca uma massa pesada a um raio conhecido, introduz a massa e o raio reais. Depois do arranque, verifica: a amplitude do 1x mudou 20–30 % ou a fase 20–30°. Se for menos, aumenta a massa, em vez de tentar calcular a partir do ruído.

  7. 07

    Correção e arranque de controlo

    Coloca as massas calculadas, contando o ângulo a partir do local da massa de prova. Se necessário, acrescenta um ajuste fino (trim) — um acerto com massas pequenas, sem nova calibração. Depois, volta a observar as duas grandezas: o 1x mostra a qualidade da equilibragem, o total mostra o estado da máquina.

Resultado típico para um ventilador com desequilíbrio puro: cerca de 12 mm/s antes do trabalho e cerca de 1,5–2 mm/s depois. É uma referência ilustrativa para uma máquina onde o 1x domina e a mecânica está em bom estado, não uma promessa para o seu equipamento.

Três «tolerâncias» diferentes, fáceis de confundir

Quando o programa indica «dentro da tolerância», está a comparar o 1x residual com o valor-alvo que introduziu. Não é uma avaliação do estado da máquina nem uma confirmação da classe de qualidade da equilibragem. Os três critérios existem em separado.

O que avaliaPor que grandezaOnde consultar
Resultado da equilibragem no programa1x residual e fasecomparação com o valor-alvo introduzido por si, em mm/s
Estado geral da máquinavibração total, mm/s RMS na banda de 10–1000 Hzcritérios da ISO 20816 para medições em partes fixas, zonas A/B/C/D
Qualidade da equilibragem do rotordesequilíbrio residual, g·mm/kgclasses G segundo a ISO 21940-11 (anteriormente ISO 1940-1)

Trate os números de zonas e classes como referência prática. Verifique a parte e a edição aplicável da norma para a máquina em concreto: há limites por potência, rotação, tipo de apoios e exceções por tipo de máquina. Para efeitos de aceitação contratual, registe a parte da norma, os pontos de medição, a banda de frequência, o regime de funcionamento e o tipo de base.

Fontes: ISO 20816-1:2016 · ISO 21940-11:2016 · ISO 21940-12:2016 · ISO 281:2007 · ISO 13373-3:2015 · ISO 13373-5:2020 · Manual de operação Balanset-1A

Se precisar do aparelho e de mãos para o trabalho

Tudo o que foi descrito acima faz-se com um único kit de dois canais: dois acelerómetros, um sensor laser de fase, um módulo USB e um software para Windows. O Balanset-1A mostra a vibração total e a de rotação com fase nos dois canais em simultâneo, constrói o espectro, calcula os coeficientes de influência, distribui a massa por posições fixas e guarda os resultados num arquivo para o relatório. A equilibragem é feita nos próprios apoios da máquina, sem desmontar e sem retirar o rotor.

A AXILINE é composta por engenheiros que desenvolvem e fabricam os equipamentos Balanset e que os utilizam pessoalmente para equilibrar no local. Vamos até à máquina com o kit, medimos o total e o 1x, mostramos-lhe a proporção e dizemos com franqueza o que se resolve com massas e o que exige alinhamento de eixos, aperto ou substituição de rolamento. Se já tiver um aparelho e a questão for apenas a interpretação das medições, os nossos engenheiros dão apoio de consultoria.

Escreva-nos a indicar o tipo de máquina, a rotação e o que o aparelho mostra. Com estes três números, a conversa começa mais depressa.

Fontes: Especificações do fabricante Balanset-1A · Manual de operação Balanset-1A

Perguntas frequentes

Em que é que a vibração total difere da componente de rotação 1x?

O total é o valor eficaz de toda a vibração na banda medida, normalmente 10–1000 Hz. Nele somam-se todas as fontes ao mesmo tempo. A componente de rotação 1x é apenas a parte que corresponde exatamente à frequência de rotação. O aparelho isola-a a partir do impulso do tacómetro. O desequilíbrio manifesta-se no 1x, por isso a equilibragem altera o 1x e quase não altera o resto.

O 1x pode ser maior do que a vibração total?

Fisicamente não: o 1x é uma parte do total, por isso é sempre menor ou aproximadamente igual a ele. Se o aparelho mostrar o contrário, procure um erro de medição. O mais frequente é a rotação a saltar, o tacómetro a captar um reflexo a mais, a marca suja ou o sinal em sobrecarga. Resolva isto antes de equilibrar.

A fase indica onde está o ponto pesado do rotor?

Não. A leitura da fase depende do local e da direção de montagem do sensor, da frente de disparo do tacómetro, da rigidez dos apoios e da proximidade da ressonância. O papel da fase é outro: comparando o vetor do 1x antes e depois da massa de prova, o programa determina a resposta do sistema a uma massa conhecida e, a partir dela, calcula a massa e o ângulo de correção. O ângulo é contado a partir do local da massa de prova.

Que parcela do 1x é suficiente para avançar com a equilibragem?

Como regra prática: acima de 80 % do total é um desequilíbrio seguro, 50–80 % é um caso misto com efeito parcial, abaixo de 30 % a equilibragem praticamente não resulta. Calcule a relação no mesmo ponto e na mesma direção, caso contrário o número não tem sentido.

A equilibragem reduziu o 1x, mas a vibração total ficou igual. O que se passa?

Está tudo correto, o desequilíbrio simplesmente não era a causa principal. A vibração vem sobretudo de outra fonte. Observe o espectro: um 2x forte e vibração axial apontam para desalinhamento, um pente de harmónicas com fase instável para fixação solta, picos de alta frequência não múltiplos da rotação para rolamentos, um pico estreito com rotação de fase para ressonância.

É possível medir o 1x e a fase sem sensor de tacómetro?

Não. Sem o impulso de referência, o aparelho só mostra a vibração total, porque não há a partir de que isolar a componente de rotação nem contar a fase. Para equilibrar, é preciso um sensor laser de fase e uma marca refletora limpa no veio, com um único impulso estável por volta.

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