# Quanto custa a vibração à empresa: como calcular os custos e justificar os trabalhos

> Chega com uma medição de 7,2 mm/s no apoio de um exaustor e pede uma janela de quatro horas. Em resposta, ouve «mas está a funcionar», e a conversa termina: fala em milímetros por segundo, mas a decisão toma-se em euros por hora. A tradução é possível, mas não através de percentagens de estudos setoriais, e sim através dos seus próprios dados dos últimos dois anos. A seguir, a estrutura do cálculo com campos em branco, de onde tirar cada número, e o que colocar em cima da mesa da direção.

**Em resumo:** Não calcule a vibração, mas os eventos que ela já causou no seu setor: horas de paragens não planeadas, o agravamento de custo da reparação de emergência face à planeada, o consumo antecipado de rolamentos e vedantes, danos secundários, refugo. Multiplique as horas de paragem pelo custo horário combinado com o departamento financeiro e some as restantes linhas ao longo de 12–24 meses, com base nos dados do registo de avarias, do armazém de peças e dos relatórios de turno. Calcule a diferença, não o valor absoluto: o rolamento seria substituído de qualquer forma; o prejuízo da vibração é apenas a diferença entre a substituição planeada e a de emergência. Mantenha o risco de lesão e de paragem por fiscalização como uma linha à parte, sem o somar aos custos reais.

Source: https://axiline.pt/artigos/quanto-custa-vibracao-empresa/  
Publisher: AXILINE · Vila Nova de Gaia, Portugal · +351 931 831 229 · axilinegeral@gmail.com

## «Vibra» não é argumento. A hora de paragem é argumento

A conversa sobre vibração esbarra quase sempre na mesma coisa. Mostra um número no ecrã, respondem-lhe que a máquina trabalha há três anos e não incomoda ninguém. Ambos têm razão, e ambos falam línguas diferentes. A vibração não é uma despesa que chega numa fatura no fim do mês. É uma velocidade de desgaste e uma probabilidade de paragem num momento inconveniente, e coisas assim não constam do orçamento numa linha à parte.

Por isso, na conta não entra a vibração, mas as suas consequências, que já aconteceram e já foram pagas no seu setor. A boa notícia é que estão documentadas. O seu número principal não está no aparelho, mas no registo de avarias, nas guias de saída do armazém e nos relatórios de turno dos últimos dois anos. O aparelho serve para outra coisa: diz qual é a próxima máquina.

A segunda regra é mais importante do que a primeira. Calcule a diferença, não a soma absoluta. O rolamento substituiria de qualquer forma, a questão é só quando e a que preço. A paragem do conjunto uma vez por ano vai acontecer de qualquer forma, a questão é quem escolhe a data. Assim que começa a calcular a diferença, a conta fica menor, mas defensável, e é exatamente disso que precisa na reunião.

Não misture custos reais com risco. Os custos reais podem ser verificados por documentos. O risco é uma estimativa, e vive numa linha à parte. Se os somar num único total, a primeira pessoa com formação financeira risca o cálculo inteiro, e faz bem.

> Não considere prejuízo o custo total da reparação. O prejuízo da vibração é só o agravamento: a diferença entre a substituição planeada e a de emergência, entre a paragem numa janela de manutenção e a paragem numa noite de sexta-feira.

## Oito categorias de custos criadas pela vibração elevada

Abaixo está a lista completa daquilo por que paga. Não é preciso preencher todas as linhas de imediato: algumas calculam-se em meio dia a partir de guias, outras exigem medições, e outras podem simplesmente não se aplicar à sua produção. Preencha aquelas para as quais tem documentos, e escreva honestamente «não calculado» onde não os tem. Uma linha em branco, com uma nota, fica melhor numa defesa do que um número plausível tirado do ar.

### 1. Paragem não planeada e perda de produção

Quase sempre a linha mais cara. Conte as horas reais desde a ordem de «paragem» até à entrada em regime, não o tempo em que os reparadores tiveram a ferramenta na mão. O aquecimento, a purga, o ajuste de parâmetros e as primeiras horas de trabalho com produto fora de especificação também são paragem. Nos relatórios de turno, esta causa está normalmente registada com a palavra «mecânica», e a sua primeira tarefa é decompô-la por componentes.

### 2. Reparação de emergência versus planeada

O mesmo trabalho custa de forma diferente, consoante quem escolheu a hora. Na versão de emergência, paga horas extraordinárias e turno noturno, entrega de peças por estafeta em vez de levantamento no armazém, um subcontratado à tarifa urgente, a falta de equipamento preparado e uma deteção de defeitos feita no local, em vez de conhecer o volume com antecedência. Na conta entra só a diferença entre as duas versões.

### 3. Consumo acelerado de rolamentos e vedantes

O desequilíbrio cria uma força centrífuga — uma carga dinâmica constante sobre o apoio. Essa força entra na carga dinâmica equivalente do rolamento. O cálculo da vida útil pela ISO 281 depende da relação entre a capacidade de carga dinâmica e essa carga, elevada à potência 3 para rolamentos de esferas e 10/3 para rolamentos de rolos: duplicar a carga reduz a vida útil calculada em cerca de 8–10 vezes. Numa máquina real, o efeito é mais suave, porque na carga entram também o peso do rotor e a tensão da correia. Calcule pelo facto: quantos rolamentos deste tamanho saíram do armazém para este conjunto em 24 meses, face ao previsto no plano.

### 4. Danos secundários

A linha que torna a conta grande. Veios e rasgos de chaveta, assentamentos afrouxados de impulsores e metades de acoplamento, elementos elásticos e coroas dentadas de acoplamentos, cordões de soldadura da estrutura, parafusos de ancoragem e argamassa de nivelamento da fundação, tubagens e condutas, carcaças e resguardos. Restaurar a estrutura ou a fundação custa uma ordem de grandeza mais do que um rolamento, e faz-se com uma paragem longa e muitas vezes com um subcontratado.

### 5. Aumento do consumo de energia e perda de eficiência

Aqui é preciso cautela, senão o cálculo é fácil de contestar. A energia que se perde a fazer oscilar a construção é reduzida. O que custa caro é aquilo que provoca o desequilíbrio: um impulsor desgastado ou com produto agarrado, roçamentos, folgas aumentadas nos vedantes, uma correia a patinar. Só coloque esta linha na conta se tiver medido a corrente do motor e a produtividade real antes e depois dos trabalhos. Percentagens tiradas de artigos de terceiros não passam numa defesa.

### 6. Refugo e diminuição da qualidade do produto

Aplica-se onde a vibração entra diretamente na tecnologia. No fuso de uma máquina-ferramenta, é ondulação e facetamento, desvio de cota, desgaste acelerado da ferramenta e das operações de retificação. Num triturador ou mulcher, é a dispersão da granulometria. Num misturador ou centrífuga, é a heterogeneidade e ciclos repetidos. Calcule pelos seus mapas de controlo: a proporção de não conformidades e retrabalhos nesta operação, face a operações comparáveis, associada a datas e turnos.

### 7. Condições de trabalho, ruído e vibração nos postos de trabalho

Na UE, a exposição do trabalhador à vibração e ao ruído é regulada em separado do estado da máquina, e é uma rubrica de custo independente da técnica. A Diretiva 2002/44/CE define, para a vibração, um valor normalizado A(8) — um nível reportado a um turno de oito horas. Para a vibração localizada, o valor de ação é 2,5 m/s², o valor limite 5 m/s²; para a vibração de corpo inteiro, 0,5 e 1,15 m/s². A Diretiva 2003/10/CE, relativa ao ruído, trabalha com níveis de 80, 85 e 87 dB(A). Ultrapassar estes valores custa dinheiro: medições, EPI, limitação do tempo de trabalho, exames médicos, medidas organizativas. Verifique à parte como estes requisitos foram transpostos para a legislação nacional: as regras e os procedimentos variam por país.

### 8. Risco de lesão e de paragem por fiscalização

A rotura de um impulsor, a rutura de uma fixação, a projeção de uma massa ou de um fragmento não são uma posição de reparação. Aqui entram a investigação, a suspensão do setor, a reparação por auto de notícia, as consequências no seguro e a perda de certificação junto do cliente. Avalie esta linha como probabilidade multiplicada pelo prejuízo, e mantenha-a separada dos custos reais. Não a some ao total.

Sources: [ISO 281:2007](https://www.iso.org/standard/38102.html)

## Onde estão os seus números na empresa e que campos são necessários

Não é preciso recolher dados do zero, eles já existem. O problema é outro: estão em quatro ou cinco sistemas que não coincidem entre si, porque o mesmo exaustor tem nomes diferentes em cada um. A primeira coisa a fazer é um identificador único do conjunto. Sem ele, a consolidação não se junta, por mais que exporte.

Considere um período de 24 meses, no mínimo 12. Vinte e quatro meses são necessários por dois motivos: abrangem a sazonalidade da carga e evitam que um único grande incidente determine todo o resultado. Se o histórico for inferior a um ano, faça o cálculo na mesma, mas registe-o assim: dados de um período incompleto, avaliação preliminar.

E não tente começar com dados perfeitos para todo o parque. Escolha um grupo de máquinas do mesmo tipo, por exemplo todos os exaustores ou todas as bombas de um setor, e leve o cálculo até ao fim para elas. Um cálculo completo para dez conjuntos convence mais do que um incompleto para trezentos.

- Sistema de registo de reparações ou registo de avarias. São precisos os campos: data, conjunto, componente, descrição da avaria, indicação «planeada ou não planeada», horas de paragem, trabalho em homens-hora.
- Diário de despacho e relatórios de turno da produção. Início e fim da paragem, causa, produção perdida em unidades físicas. É o seu campo mais caro e, ao mesmo tempo, o mais descuidadamente preenchido.
- Armazém e requisições de peças. Referência, quantidade, data de saída, conjunto, preço. O consumo de rolamentos de um dado tamanho, discriminado por conjunto, mostra as máquinas problemáticas ainda antes de pegar no aparelho. Ninguém embeleza esta base de dados, porque é sobre dinheiro e existências.
- Ordens de trabalho e autos de subcontratados. Valor, data, indicação de urgência, horas extraordinárias, custo dos meios de elevação e da cintagem.
- Departamento de qualidade. Proporção de não conformidades e retrabalhos por operação, associada a data, turno e equipamento.
- Departamento de segurança e saúde no trabalho. Protocolos de medições de ruído e vibração nos postos de trabalho, autos de notícia, EPI atribuído, limitações do tempo de trabalho.
- Contagem de energia e SCADA. Contadores por conjunto, se existirem, e registos da corrente do motor. Normalmente o ponto mais fraco de toda a amostra, por isso a linha energética tem mesmo de ser confirmada com medições próprias.

- [x] Identificador único do conjunto, igual em todos os sistemas.
- [x] Data, hora de início e de fim, horas reais de paragem do processo tecnológico.
- [x] Indicação «planeada ou não planeada». Um único campo que resolve metade da tarefa.
- [x] Componente e natureza da avaria: rolamento, veio, assentamento, acoplamento, fixação, estrutura, vedante, impulsor.
- [x] Custos diretos por caso: peças mais mão de obra mais subcontratado.
- [x] Produção perdida em unidades físicas, não em dinheiro. A conversão para dinheiro faz-a você, à taxa combinada.

> Se o campo «planeada ou não planeada» não existir no registo, acrescente-o hoje e não reconstrua o passado de memória. Marcações feitas retroativamente notam-se sempre e destroem a confiança em todo o cálculo.

## O custo de uma hora de paragem: o número pelo qual vale a pena aguentar a conversa com os financeiros

Sem este número, nenhuma linha se transforma em dinheiro. Com ele, todas se transformam de uma vez, incluindo aquelas que só vier a calcular daqui a um ano. Por isso, vale a pena obtê-lo uma vez e obtê-lo bem: não com uma estimativa num guardanapo, mas com um cálculo que lhe assinaram.

Calcula-se somando cinco componentes. Abaixo está a tabela com campos em branco e a indicação de onde, na empresa, está cada parcela.

A seguir vem uma bifurcação honesta, sobre a qual normalmente não se fala. Se o setor não está a trabalhar a plena capacidade e a produção pode ser recuperada no turno seguinte, a hora de paragem não vale a margem perdida. Vale as horas extraordinárias e parte dos custos indiretos. Se o setor é o gargalo e o produto está vendido, a hora de paragem vale a totalidade da margem de contribuição. A diferença entre estes dois casos é de várias vezes. Quem os confunde a seu favor perde a confiança uma vez, e para sempre.

Daqui resulta que não tem uma taxa, mas três: a hora de paragem do gargalo, a hora de paragem de um conjunto com reserva de ativação rápida, e a hora de paragem dentro de uma janela de manutenção planeada, onde as perdas de produção estão perto de zero. A terceira taxa é precisamente o sentido económico da intervenção planeada.

Combine os números com o departamento financeiro, registe-os juntamente com a data e os pressupostos, e use apenas esses daí em diante. A partir desse momento, a discussão deixa de ser sobre quanto custa isto e passa a ser sobre o que fazer.

| Componente do custo horário | Como calcular | De onde vem o número | O seu valor, €/h |
| --- | --- | --- | --- |
| Produção não realizada, se não puder ser recuperada | produtividade, un/h × contribuição marginal por unidade | Departamento de planeamento económico, relatório de produção |  |
| Recuperação de produção, se for possível | horas extraordinárias de recuperação × taxa com encargos | Registo de ponto, folha de vencimentos |  |
| Custos que não param | salário do turno parado, renda, amortização, aquecimento, energia de vigília | Contabilidade, custos indiretos do setor |  |
| Entrada em regime depois do arranque | horas de aquecimento e purga × a mesma taxa + custo do produto fora de especificação | Tecnólogos, relatórios de turno |  |
| Outras perdas diretas | matéria-prima estragada, descarga e lavagem, eliminação, novo ajuste | Tecnólogos, armazém de matéria-prima |  |
| Custo da hora de paragem, total | soma das linhas acima | Combinado com o departamento financeiro, data |  |

> Não retire o custo da hora de paragem de estudos setoriais. Os números aí divergem em ordens de grandeza, e qualquer diretor financeiro sabe disso. O seu próprio cálculo em cinco linhas pesa mais do que qualquer referência externa.

## Tabela de cálculo do prejuízo por período

Agora juntamos tudo. Preenche uma vez, depois atualiza uma vez por trimestre: demora uma hora, e fica sempre com um número atual para qualquer conversa. Não colocamos aqui, propositadamente, taxas nem percentagens, porque dependem do seu equipamento, das suas tarifas e do seu produto.

A principal armadilha ao preencher é a contagem dupla. A reparação de emergência é muitas vezes a própria paragem, e as mesmas horas entram facilmente nas linhas 1 e 2. Combine desde já: na linha 1 só as horas e a produção perdida, na linha 2 só o agravamento do próprio trabalho. O mesmo entre as linhas 3 e 4: o rolamento conta-se uma vez, e o veio, o assentamento e a estrutura em separado.

Repare nas duas últimas linhas. O total soma as linhas 1–7, são custos reais, cada um com um documento verificável. A linha 8 fica abaixo do total e não entra nele. Contra esse total, coloca o custo do programa, e este também precisa de ser calculado com honestidade e por completo, incluindo o tempo do seu próprio pessoal.

| N.º | Categoria de custo | Fórmula | Onde obter os dados | Em 12 meses |
| --- | --- | --- | --- | --- |
| 1 | Paragem por interrupções não planeadas de causa vibracional | Σ horas de paragem × custo da hora de paragem | Diário de despacho, relatórios de turno, taxa combinada |  |
| 2 | Agravamento da reparação de emergência face à planeada | (custo médio do caso de emergência − custo médio do caso planeado) × número de casos de emergência | Ordens de trabalho, autos de subcontratados, registo de horas extraordinárias |  |
| 3 | Substituição antecipada de rolamentos e vedantes | (número real de substituições − previsto no plano) × (preço do componente + mão de obra) | Armazém, requisições, plano de manutenção |  |
| 4 | Danos secundários | Σ custo de restauro de veios, assentamentos, acoplamentos, estrutura, fundação, tubagens | Ordens de trabalho, autos, faturas de fabrico de peças |  |
| 5 | Consumo excessivo de energia | ΔP, kW × horas de funcionamento × tarifa | Medições de potência e corrente antes e depois, tarifa |  |
| 6 | Refugo e diminuição de categoria | Σ (volume de não conformidades + retrabalhos) × custo unitário | Mapas de controlo, departamento de qualidade |  |
| 7 | Medidas de ruído e vibração nos postos de trabalho | medições + EPI + exames médicos + medidas organizativas | Segurança no trabalho, autos de notícia, faturas |  |
|  | TOTAL de custos reais | linhas 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 | Cada linha com um documento |  |
| 8 | Risco. Linha à parte, não entra no total | probabilidade do evento × prejuízo por ele causado | Estimativa de reparação, histórico de avarias do seu parque |  |
|  | Custo do programa de controlo de vibração | deslocações por ano + aparelho + tempo do próprio pessoal + janelas planeadas × taxa da janela | Propostas comerciais, registo de ponto |  |

> Deixe em branco as linhas para as quais não tem documentos, e assine «não calculado». Assim, o cálculo mantém-se verificável. Uma tabela preenchida com suposições desmorona-se logo na primeira pergunta «e de onde vem este número».

## Intervenção planeada versus paragem de emergência: onde exatamente surge a diferença

Esta tabela é prática para mostrar em vez de longas explicações. Não tem um único número, e mesmo assim funciona, porque cada ponto é reconhecível.

Preencha as colunas do meio e da direita com as suas horas e somas, referentes ao último caso real no seu setor. A diferença entre as linhas é precisamente aquilo com que justifica o trabalho planeado. Não percentagens, não «práticas internacionais», mas um caso concreto de que toda a gente se lembra.

Calcule o custo da intervenção planeada por completo, sem o subestimar: a deslocação, a janela de paragem de algumas horas, a fixação e as massas, o seu pessoal, uma nova medição de controlo. Um número subestimado joga contra si na segunda vez, quando o trabalho sair mais caro do que o prometido.

| O que comparamos | Intervenção planeada | Paragem de emergência |
| --- | --- | --- |
| Quem escolhe a data | Você, junto com a produção | A máquina |
| Duração da paragem | Conhecida com antecedência, os trabalhos são combinados com outros | Aumenta ao longo do processo, porque a deteção de defeitos é feita no local |
| Peça | Do armazém ou encomendada normalmente | Estafeta, tarifa urgente, por vezes fabrico por encomenda |
| Pessoas | O próprio turno, em horário de trabalho | Horas extraordinárias, noite, fim de semana, subcontratado à tarifa urgente |
| Volume de trabalho | Só o necessário | Mais os danos secundários que já aconteceram |
| Produção | Paragem dentro da janela planeada, perdas perto de zero | Perda de produção ao custo horário integral |
| Diagnóstico | A causa é conhecida antes da paragem: desequilíbrio (vibração na frequência de rotação, 1x) ou outra coisa | Apura-se depois de o dano já ter acontecido |
| Pessoas e segurança | Trabalho segundo um procedimento preparado | Decisões apressadas, risco de lesão e de nova avaria |

> Se não tiver acesso ao plano de correção — o local de instalação das massas corretivas — com a máquina em funcionamento, a diferença entre estas duas colunas fica menor, e o custo da opção planeada, maior. Há uma análise, noutro artigo, sobre quando equilibrar no local e quando levar o rotor para a bancada.

## Como calcular com honestidade o efeito de um programa de controlo de vibração

A tentação é compreensível: prometer uma redução da sinistralidade numa determinada percentagem. Não prometa. Essa promessa funciona uma vez, e quando, um ano depois, o número não bater certo, junto com ele fecha-se o tema todo por vários anos. Não perde o projeto, perde a confiança na própria abordagem.

O que funciona é outra coisa. Anuncie a métrica com antecedência, antes de o programa começar, juntamente com o período de comparação e a composição do parque. Assim, um ano depois, não traz uma justificação, mas uma medição. Mesmo que o resultado seja modesto, será seu e verificável.

Um pormenor técnico fundamental: normalize pelas horas de funcionamento. Um conjunto que trabalhou 4000 horas num ano e um a 1200 horas não são comparáveis, e numa produção sazonal as horas variam para o dobro. Calcule as avarias por 1000 horas de funcionamento, caso contrário vai tomar uma alteração de carga como sendo o efeito do seu trabalho.

### Amostra pequena

Seis avarias antes e três depois não são um resultado, são ruído. Num parque de uma dezena de máquinas, qualquer «metade de antes» não significa nada estatisticamente. Compare as horas totais de paragem e a composição das paragens, não a proporção pelo número de eventos.

### Alterações simultâneas

Começou as rondas, e no mesmo trimestre mudou de fornecedor de rolamentos, reparou a fundação e reduziu as RPM no variador. Não é possível atribuir o efeito ao programa, e vão dizer-lho, com razão. Mantenha um registo de todas as alterações com datas; assim, a conversa será substantiva.

### Efeito da atenção

As máquinas que entram no percurso passam a ser inspecionadas, lubrificadas e apertadas com mais frequência, simplesmente porque agora se vai até elas. Isto também é benéfico, e é real. Mas não é mérito das medições, e é assim que se deve dizer.

### Regressão à média

Os primeiros a entrar no programa são os conjuntos mais problemáticos, cujos indicadores melhorariam, em parte, por si próprios. Isto resolve-se com um único truque: deixe um grupo de controlo de máquinas comparáveis fora do programa e compare os dois grupos no mesmo período.

- Número de paragens não planeadas por causas mecânicas, por 1000 horas de funcionamento do conjunto, em períodos de igual duração.
- Tempo médio de funcionamento entre avarias, por grupo de máquinas do mesmo tipo.
- Proporção de paragens não planeadas no número total de paragens. O programa de controlo de vibração não elimina paragens, transfere-as de não planeadas para planeadas, e é precisamente esta relação que mostra o resultado mais cedo.
- Duração média de uma paragem. Cai antes do que o seu número, porque chega a um trabalho preparado, com o volume conhecido e a peça já trazida.
- Número de substituições de rolamentos e vedantes por conjunto, por ano, segundo os dados do armazém.
- Número de máquinas nas zonas C e D (vibração elevada e inadmissível) segundo a parte aplicável da ISO 20816, no início e no fim do período. Uma métrica simples, visual e verificável do estado do parque.
- Horas totais de paragem por causas mecânicas no período. Num parque pequeno, é a melhor métrica, porque não se distorce com um número reduzido de eventos.

Sources: [ISO 20816-1:2016](https://www.iso.org/standard/63180.html)

## O que colocar em cima da mesa da direção: uma página

O cálculo de oito linhas é para si, não para a direção. Para a reunião vai uma página, e a sua tarefa não é convencer da importância da vibração, mas obter uma decisão concreta: uma janela de tantas horas, num determinado dia, para um determinado conjunto.

A ordem nesta página é inversa à ordem em que trabalhou. Primeiro, dois números de estado, depois a linha de tendência, depois o dinheiro, no fim o pedido. Mantenha o espectro (a decomposição da vibração por frequências), o diagrama polar e as fases numa segunda página, para quem perguntar.

E uma observação da prática de defender este tipo de cálculos. Uma tabela com campos em branco e fontes assinadas convence mais do que uma tabela com totais bonitos e sem referências. Para quem toma a decisão, o que importa não é o total ser grande, mas poder verificar, à sua escolha, qualquer linha, e ela bater certo.

- [x] Nível de base e nível atual das máquinas críticas: mm/s RMS (valor eficaz) na banda de 10–1000 Hz, ponto e direção de medição, zona segundo a parte aplicável da ISO 20816. Dois números lado a lado, não um só.
- [x] Tendência: uma linha de 12 meses, pelo menos para uma máquina onde se veja a inclinação. A inclinação convence melhor do que qualquer valor absoluto, porque mostra o tempo que lhe resta.
- [x] Separação entre a vibração total e a componente de rotação 1x. É a prova de que está a pedir precisamente uma equilibragem, e não «fazer alguma coisa com a máquina».
- [x] Custo da hora de paragem deste setor, combinado com o departamento financeiro, com a data do acordo e o nome de quem o aprovou.
- [x] Custo da intervenção planeada: horas da janela, deslocação, materiais, o seu pessoal, medição de controlo.
- [x] Custos reais dos últimos 12 meses, segundo a sua tabela, com indicação da fonte em cada linha.
- [x] Risco numa linha à parte, claramente identificado como estimativa, não como facto.
- [x] Pedido concreto com data. Não «é preciso um programa de monitorização», mas uma decisão que se possa tomar nesta reunião.

> Uma página, dois números, uma linha, um pedido. Tudo o resto na segunda metade da pasta. A ordem de marcação dos pontos, de recolha do nível de base e de definição dos limiares é tratada noutro artigo nosso, sobre monitorização de vibração.

## Como ajudam os engenheiros da AXILINE

A economia é calculada por si, porque todos os números estão dentro da sua empresa, e ninguém os entrega para fora. Nós cobrimos a parte de medição, de onde saem as linhas do seu cálculo: nível de base, tendência, separação entre vibração total e componente de rotação, protocolo antes e depois dos trabalhos.

O Balanset-1A mede simultaneamente, em dois canais, a velocidade de vibração total RMS, a amplitude e a fase da componente de rotação, e as RPM do rotor. Ao lado, mostra o sinal no domínio do tempo e o espectro FFT. A gama do 1x é de 0,02 a 80 mm/s, o erro de medição da fase é ±1°, as RPM de 100 a 100 000 por minuto, e todo o conjunto na mala pesa menos de 5 kg. Dois canais logo significam que mede os dois apoios num só arranque, no mesmo regime e às mesmas RPM, e depois não discute se a máquina estava a funcionar da mesma forma há vinte minutos.

Para o cálculo, há mais uma coisa importante: todos os resultados ficam guardados no arquivo e transformam-se em protocolo. A medição depois da reparação e a medição seis meses depois já não são uma recordação, mas um documento com data, que entra tanto no processo como na tabela de custos. São precisamente estes protocolos que tornam o seu cálculo verificável.

Os engenheiros da AXILINE são as mesmas pessoas que desenvolvem e fabricam os aparelhos Balanset e que eles próprios equilibram com eles em deslocação. Deslocamo-nos, medimos, equilibramos o rotor no local de exploração, ajudamos a marcar e identificar os pontos, a recolher os níveis de base depois da reparação e a analisar um alarme que disparou. Também há apoio de consultoria: envia as suas medições e espectros, e vemos juntos se é desequilíbrio ou outra coisa.

Digamos os limites com clareza. Não calculamos por si o custo da hora de paragem nem substituímos o departamento de manutenção. A vibração é uma das causas das avarias, e um cálculo honesto mostra a sua parte, não o orçamento de reparação inteiro. Se, depois de analisar os dados, se verificar que as suas paragens vêm principalmente de desalinhamento, fixação ou regime de funcionamento, dizemos isso antes da deslocação, não depois.

Sources: [Especificações do fabricante Balanset-1A](https://vibromera.eu/product/balanset-1/) · [Manual de operação Balanset-1A](https://vibromera.eu/balanset-1a-operation-manual/)

## Perguntas frequentes

**A direção diz «mas está a funcionar, para quê mexer». O que responder?**

Não discuta sobre vibração, essa discussão perde-a, porque a máquina de facto funciona. Traga três coisas: o nível de base e o nível atual desta máquina, a linha de tendência dos últimos meses, e o custo da hora de paragem do setor, combinado com o departamento financeiro. A seguir, formule o pedido como uma escolha entre duas datas: uma janela de quatro horas na próxima paragem planeada, ou um número desconhecido de horas quando a máquina decidir. É uma conversa em que tem argumentos.

**Não temos registo de avarias nem dados razoáveis. Por onde começar?**

Pelo armazém. O consumo de rolamentos e vedantes por conjunto é a base de dados mais honesta da empresa, porque é mantida para efeitos de existências e dinheiro, não de relatórios, e ninguém a embeleza. Exporte 24 meses, organize por conjunto, e as máquinas problemáticas aparecem sozinhas. Em paralelo, acrescente ao registo de reparações um campo «planeada ou não planeada» e comece a preenchê-lo a partir de hoje. Daqui a um ano terá uma base completa.

**Pode usar-se números de poupança já prontos, de estudos setoriais?**

Não servem para a conversa. As estimativas publicadas do custo da hora de paragem divergem em ordens de grandeza, porque somam produções incomparáveis, e a pessoa que toma a decisão normalmente sabe disso. Use um número externo só para perceber a ordem de grandeza e verificar se o seu cálculo não tem um erro grosseiro. Para o documento, vai o seu próprio número, com a assinatura do departamento financeiro.

**Como calcular o prejuízo se o incidente ainda não aconteceu?**

Através da diferença e através do risco, mas sem os misturar. A diferença calcula-se por documentos: o custo da intervenção planeada hoje, face ao custo da versão de emergência no último caso real numa máquina semelhante. O risco vai numa linha à parte, como probabilidade multiplicada pelo prejuízo, e claramente identificado como estimativa. E o argumento principal, nesse caso, não é a soma, mas a tendência: uma linha a subir mostra quanto tempo lhe resta para se preparar.

**Vale a pena incluir no cálculo o consumo excessivo de energia?**

Só se o tiver medido. A corrente do motor e a produtividade real antes e depois dos trabalhos, no mesmo regime e com a mesma carga. O desequilíbrio, por si só, consome pouco; o que custa caro é a sua causa, por exemplo um impulsor agarrado por produto ou desgastado, roçamentos e folgas aumentadas. Se não houver medições, deixe a linha em branco, com a nota «não calculado». É mais seguro do que colocar uma percentagem que lhe vão pedir para justificar.

**O que fazer se, depois de lançar o programa, o número de avarias não diminuiu?**

Primeiro, olhe não para o número de avarias, mas para a sua composição e para as horas totais de paragem. A transferência de paragens de não planeadas para planeadas, com o mesmo número, já é, por si só, um resultado, e vê-se em dinheiro. Se nem as horas mudaram, reconheça isso com honestidade e verifique a hipótese: talvez, no seu parque, as principais causas de avaria não sejam vibracionais, mas sim a lubrificação, o regime de funcionamento, a qualidade das peças ou erros de montagem. Essa conclusão também vale dinheiro, porque impede gastar esforço na direção errada.
