# Folgas nas fixações e pé mole: a descoberta mais barata no local

> Chegou com o instrumento e o plano de equilibrar o exaustor de fumos. Pegue primeiro na chave, no apalpa-folgas e no relógio comparador. As folgas mecânicas e o pé mole ocorrem com mais frequência do que o desequilíbrio, custam menos do que qualquer outra reparação e, ao mesmo tempo, imitam sintomas alheios: elevam a 1x (vibração à frequência de rotação do rotor), espalham harmónicos e tornam a fase instável. Vamos ver como distinguir um do outro e como encontrar os dois numa única ronda.

**Em resumo:** A folga mecânica é a perda de rigidez numa junta: o parafuso não segura, o assento está gasto, o calço amassou, a solda fissurou. O pé mole (soft foot) funciona de forma diferente: os parafusos estão apertados, mas a base do pé e a superfície da fundação não estão no mesmo plano, e ao apertar deforma-se a carcaça da máquina. As folgas encontram-se com a chave, o apalpa-folgas e o teste do martelo, o pé mole encontra-se com o relógio comparador, desapertando os parafusos um a um; o critério de trabalho habitual é 0,05 mm. Enquanto as juntas não estiverem restauradas, não faz sentido equilibrar: os coeficientes de influência — a reação da máquina à massa de teste — variam de arranque para arranque, e o resultado não se mantém.

Source: https://axiline.pt/artigos/folgas-nas-fixacoes-pe-mole/  
Publisher: AXILINE · Vila Nova de Gaia, Portugal · +351 931 831 229 · axilinegeral@gmail.com

## Porque se procuram as folgas em primeiro lugar

Calcule o custo de cada descoberta. A equilibragem exige um instrumento, três arranques e massas. O alinhamento de eixos exige tempo para desmontar o acoplamento e trabalhar com calços. A substituição de um rolamento exige uma peça e paragem. Um parafuso de ancoragem solto exige uma chave e cinco minutos.

Ao mesmo tempo, a folga imita quase qualquer outro diagnóstico. Eleva a componente à velocidade de rotação, acrescenta 2x (vibração ao dobro da frequência de rotação), espalha o espectro em harmónicos inteiros, eleva o ruído de fundo e torna a fase instável. O técnico vê no espectro — a decomposição da vibração por frequências — uma 1x elevada e encomenda uma equilibragem. A massa é colocada, a vibração desce durante uma semana, depois volta.

A folga em si raramente é a causa-raiz. Funciona como um amplificador. Uma junta com rigidez perdida deixa passar mais movimento para a mesma força de excitação. Um desequilíbrio que, numa base rígida, daria 2 mm/s, numa estrutura desapertada dá oito. Anda a perseguir o rotor, quando a culpa é da estrutura.

Existe também uma realimentação: a própria vibração destrói a fixação. O parafuso perde a pré-carga, o assento gasta-se, a argamassa de nivelamento descola-se, e ao fim de um mês o nível está mais alto do que estava. O processo é cíclico e acelera.

> A ordem de trabalho no local é sempre a mesma: primeiro a fixação e a rigidez, depois o alinhamento de eixos, depois a equilibragem. A ordem inversa quase garante uma nova deslocação.

## Seis tipos de folga que aparecem no terreno

### Fixação da máquina à fundação

Parafusos de ancoragem soltos, perda de pré-carga da ancoragem, porca sem contraporca, uma anilha que marcou o pé. É o caso mais frequente e mais barato. Verifica-se com uma chave e o binário correto numa única ronda.

### Folga no assento

Impulsor ou hélice no veio, metade do acoplamento, polia numa bucha cónica, rolamento na carcaça ou no veio. Aqui a folga roda junto com o rotor, por isso o quadro desloca-se para a 1x com fase instável e agrava-se com o aquecimento.

### Fissuras na estrutura, na bancada e nas soldaduras

Uma fissura na soldadura de um pilar de apoio ou num canto da estrutura dá uma flexibilidade direcional. A amplitude numa direção fica várias vezes mais alta do que na perpendicular, e o espectro dispersa-se em harmónicos. Procura-se por inspeção após desengorduramento e com o teste do martelo.

### Assentamento da fundação e da argamassa de nivelamento

O betão sob o pé esboroou-se, a argamassa epóxi de nivelamento descolou-se nas bordas, surgiu uma folga sob a base da estrutura. Apertar os parafusos não ajuda aqui: não há para onde puxar. Corrige-se com a reparação da fundação.

### Calços amassados e em excesso

Uma pilha de sete calços finos, lâminas pintadas ou enferrujadas, um calço menor do que a base do pé. O aperto comprime essa camada, e depois a máquina assenta e a junta volta a perder-se.

### Isoladores antivibráticos gastos

A borracha endureceu ou fissurou, as molas assentaram de forma desigual, a fixação do isolador afrouxou. Um assentamento desigual nos cantos coloca a máquina inclinada e por si só cria um pé mole.

## Pé mole: não é uma folga, é o seu oposto

O pé mole (soft foot) significa uma incompatibilidade de geometria: a base do pé e a superfície da fundação não estão no mesmo plano. Aperta-se os parafusos com o binário normal, o pé fica encostado, mas a carcaça da máquina curva-se ao mesmo tempo. Formalmente, está tudo apertado. Na prática, a máquina assenta em três dos quatro pés, e o quarto foi puxado à força.

As consequências entram para dentro da máquina. Os alojamentos dos rolamentos perdem a coaxialidade, as folgas alteram-se, num motor elétrico o entreferro fica inclinado e surge uma linha ao dobro da frequência da rede (100 Hz numa rede de 50 Hz). Numa bomba, o pé mole desfaz o alinhamento de eixos: alinhou a máquina com cuidado, e depois do aperto o desalinhamento voltou. Para a equilibragem, o mais importante é outra coisa: muda a rigidez dinâmica do apoio, e com ela o coeficiente de influência.

O pé mole tem quatro tipos, e cada um corrige-se de forma diferente.

- Paralelo. A base é paralela à superfície, mas há folga entre as duas em toda a área. Faltam calços. É o caso mais simples: acrescenta-se uma lâmina com a espessura certa e resolve-se a questão.
- Angular. A base fica em cunha, a folga está de um lado. A causa é uma superfície irregular, um pé deformado ou uma estrutura inclinada. Colocar lâminas retas aqui não serve de nada: obtém-se um contacto pontual e volta a haver deformação. É preciso um conjunto escalonado ou trabalhar a superfície.
- Esponjosa (squishy). Sob o pé há uma pilha de calços finos, sujidade, tinta, ferrugem, rebarbas. O aperto comprime a camada, a máquina trabalha, a camada assenta, a pré-carga perde-se. Elimina-se limpando e substituindo a pilha por uma única lâmina inteira.
- Sob tensão. A geometria está correta, mas a máquina é puxada por uma força externa: uma tubagem rígida, uma conduta, uma entrada de cabos apertada, um acoplamento sobretensionado. Ao desapertar o parafuso, o relógio comparador mostra movimento, embora os calços não tenham nada a ver com isso. Verifica-se desligando o flange.

> Um caso à parte é o bolt-bound: o furo no pé não coincide com o eixo do parafuso de ancoragem, o parafuso encosta na parede do furo e impede deslocar a máquina durante o alinhamento. Não é pé mole, mas corrige-se na mesma intervenção, alargando o furo ou substituindo o parafuso por um de diâmetro menor.

## Como verificar o pé mole com o relógio comparador

1. **Prepare as superfícies** — Aperte todos os parafusos com o binário nominal. Limpe as bases dos pés e as superfícies da fundação, removendo tinta, ferrugem, óleo e restos de calços antigos. Remova as rebarbas. Enquanto houver uma camada de tinta sob o pé, qualquer medição engana, e vai andar a perseguir um milímetro que não existe.
2. **Passe o apalpa-folgas** — Antes do relógio comparador, percorra a máquina com um apalpa-folgas de 0,05 mm por todo o contorno de cada pé, com os parafusos apertados. Se a lâmina entrar, a folga já foi encontrada, e pela profundidade de entrada vê-se a sua forma: em toda a base ou em cunha de um lado. São dois minutos e metade do diagnóstico.
3. **Monte o relógio comparador** — Coloque a base magnética na fundação ou na estrutura, nunca na própria máquina. Encoste a ponta do relógio no plano superior do pé, o mais perto possível do parafuso, em posição estritamente vertical. Zere a escala.
4. **Desaperte um parafuso de cada vez** — Desaperte completamente um parafuso, deixando os restantes apertados. Observe o relógio comparador. Se o pé subir, encontrou um pé mole e já sabe o seu valor em milímetros. Volte a apertar o parafuso, zere, e passe ao pé seguinte. Não desaperte dois parafusos ao mesmo tempo: o resultado deixa de fazer sentido.
5. **Compare com o critério** — Referência de trabalho: um levantamento até 0,05 mm é considerado aceitável para a maioria das máquinas industriais. Para máquinas de alta velocidade e com entreferro pequeno, usa-se 0,02–0,03 mm. O valor exato é sempre definido pela documentação da máquina, e a regra geral serve apenas como ponto de partida.
6. **Ajuste os calços e repita o ciclo** — Acrescente calços com o valor medido. Para um pé angular, use um conjunto escalonado ou trabalhe a superfície. Aperte e volte a verificar todos os pés à volta: corrigir um altera o quadro nos restantes. O ciclo repete-se até cada pé entrar na tolerância.

> Mantenha a pilha com no máximo quatro calços e use lâminas inoxidáveis com recorte em U, para as poder trocar sem retirar o parafuso por completo. Uma lâmina de 1,0 mm é sempre melhor do que dez de 0,1 mm.

## O que se vê nas medições

A folga raramente desenha uma única linha limpa. Ela estraga o espectro inteiro, e é precisamente essa «sujidade» que é o sintoma. A causa está na não linearidade: uma junta com folga transmite força numa direção e não a transmite na outra, a sinusoide fica cortada, e uma sinusoide cortada decompõe-se num conjunto de harmónicos.

- [x] Pente de harmónicos inteiros. 1x, 2x, 3x, 4x e mais acima, por vezes até 8x–10x. A assinatura clássica de rigidez perdida.
- [x] Harmónicos fracionários 0,5x, 0,33x, 1,5x. Surgem quando a folga é suficiente para um impacto real. Já não é «um pouco de folga», é batimento.
- [x] Ruído de fundo elevado. O espectro deixa de ser um conjunto de linhas sobre um campo vazio, e toda a base sobe. Muitas vezes é o ruído de fundo que salta à vista primeiro, ao comparar com a medição anterior.
- [x] Fase de 1x instável. A fase é o ângulo que liga a vibração à rotação do rotor. Registe-a em três arranques seguidos. Uma dispersão de ±5° é normal. Saltos de 20–40° significam que a rigidez do sistema muda durante o funcionamento.
- [x] Direcionalidade acentuada. Horizontal 9 mm/s, vertical 1,5 mm/s, com a mesma fixação do sensor: a flexibilidade é direcional, procure um pé solto ou uma fissura nessa direção. O desequilíbrio dá um quadro mais uniforme nas direções radiais.
- [x] Queda de amplitude através da junta. Meça na carcaça do rolamento, no pé, na estrutura e no betão ao lado. Uma queda superior a uma vez e meia a duas vezes numa junta aponta diretamente onde se perde a rigidez.
- [x] Impactos no sinal no tempo. Não se limite ao espectro. A folga dá um sinal assimétrico com picos cortados e impulsos isolados, que o espectro dilui no ruído de fundo.
- [x] Alteração do quadro ao apertar. O teste mais convincente de todos: medição, aperto de uma junta, nova medição no mesmo ponto com o mesmo sensor. Uma alteração superior a 20–30% resolve a questão sem discussão.

> A parte desagradável: o pé mole consegue elevar uma 1x limpa, sem quaisquer harmónicos, porque ali não há impactos. Um espectro sem pente de harmónicos não justifica saltar a ronda com a chave e o relógio comparador.

## Tabela: o que se vê, onde procurar, como verificar

| O que vê nas medições | Onde procurar a folga | Como verificar à mão |
| --- | --- | --- |
| Pente 1x, 2x, 3x… e ruído de fundo elevado | Fixação da máquina à estrutura, da estrutura à fundação, soldadura fissurada | Binário em todos os parafusos, apalpa-folgas de 0,05 mm no contorno dos pés, teste do martelo na estrutura e nas soldaduras, inspeção com lanterna após desengorduramento |
| Harmónicos fracionários 0,5x e 0,33x, impactos no sinal no tempo | Folga real: assento do rolamento gasto na carcaça, parafuso solto, argamassa de nivelamento descolada | Relógio comparador no anel exterior com o veio suspenso, marcas de fretting (pó ferrugento) no assento, teste do martelo na argamassa de nivelamento |
| 1x alta, fase varia dezenas de graus | Assento solto do impulsor, da hélice, da metade do acoplamento ou da polia no veio | Relógio comparador no cubo, movendo com uma alavanca, marcas de rotação e martelagem na chaveta, nova medição com a máquina quente |
| Horizontal quatro vezes maior do que a vertical | Flexibilidade direcional: um pé, um pilar de apoio, uma fissura na estrutura | Relógio comparador em cada pé, um de cada vez, teste de impacto na estrutura, comparação da amplitude no pé e no betão ao lado |
| O nível muda de forma percetível depois de reapertar um parafuso | Exatamente a junta que foi reapertada | Medição antes e depois no mesmo ponto. Marque as porcas com tinta para ver, um mês depois, quais voltaram a soltar-se |
| 2x subiu, a vibração axial subiu | Desalinhamento causado por pé mole ou assentamento da fundação | Primeiro o pé mole com o relógio comparador, só depois o alinhamento de eixos. Caso contrário, vai alinhar a máquina em estado deformado |
| Linha ao dobro da frequência da rede (100 Hz numa rede de 50 Hz) | Inclinação da carcaça do motor elétrico por pé mole, folga na fixação do estator | Verificação dos pés com o relógio comparador, teste de corte de alimentação: a linha eletromagnética desaparece de imediato, a mecânica diminui com a inércia |
| A vibração aumenta ao longo de horas de funcionamento e desce após a paragem | Deformação térmica da estrutura, tubagem apertada, pé sob tensão | Medição com a máquina fria e quente, desligar o flange da tubagem com o relógio comparador no pé |
| O nível varia de arranque para arranque sem causa aparente | Isoladores antivibráticos gastos, assentamento desigual, contacto rígido a contornar o isolador | Meça a altura livre de cada isolador e compare entre si, localize e elimine as pontes metálicas |

> A tabela indica uma direção de procura, não uma conclusão. A folga, o desalinhamento e o defeito de rolamento conseguem parecer-se, e numa mesma máquina muitas vezes coexistem. Avalie o nível geral em separado, em mm/s RMS (valor eficaz da velocidade de vibração) na banda de 10–1000 Hz, segundo a parte aplicável da ISO 20816. Um pormenor: uma fundação desapertada transforma, na prática, uma base rígida numa base flexível, mas isso não é motivo para aplicar à máquina as normas mais permissivas previstas para bases flexíveis.

Sources: [ISO 20816-1:2016](https://www.iso.org/standard/63180.html) · [ISO 13373-3:2015](https://www.iso.org/standard/40840.html)

## Calços, ancoragens, argamassa de nivelamento e isoladores antivibráticos

### Calços

Use calços inoxidáveis de fabrico industrial, com recorte em U. Mantenha a pilha com no máximo quatro unidades: quanto mais camadas, maior a elasticidade e mais depressa a máquina assenta. O calço deve cobrir toda a base do pé, não apenas a zona sob o parafuso. Descarte lâminas enferrujadas e pintadas, são precisamente a origem do pé esponjoso.

### Ancoragens e parafusos

O parafuso segura a máquina pela força de tração, não por a cabeça encostar. Um perno curto numa rosca gasta perde a pré-carga com qualquer ciclo térmico. Aperte com o binário nominal, marque as porcas com tinta e, um mês depois, veja quais as marcas que se desalinharam. Uma ancoragem que roda ou sai junto com um cone de betão tem de ser reposicionada, não apertada com mais força.

### Argamassa epóxi de nivelamento

A argamassa de nivelamento transmite a carga da estrutura para o betão, e falha de forma previsível: descola-se nas bordas, fissura no perímetro, deixa uma folga sob a base da estrutura. Bata com um martelo: um som abafado em vez de um som firme indica um vazio. Introduza um apalpa-folgas de 0,05 mm sob a aresta da estrutura. Reparar a argamassa de nivelamento nessa máquina reduz mais vibração do que qualquer equilibragem.

### Isoladores antivibráticos

A borracha envelhece e endurece, as molas assentam de forma desigual, e um assentamento diferente nos cantos cria, por si só, um pé mole. Meça a altura livre de cada isolador e compare. Um isolador só funciona quando a frequência própria da montagem está claramente abaixo da frequência de rotação: a borracha endurecida aumenta a rigidez, a frequência aproxima-se da velocidade de trabalho, e obtém-se uma ressonância do nada.

> Verifique também, à parte, se não há nenhum contacto rígido a fazer ponte à volta dos isoladores: um cabo entalado, um resguardo encostado, um dreno embutido em betão, uma tubagem soldada rigidamente. Uma única ponte destas anula toda a montagem antivibrática, e nenhum ajuste de calços corrige isso.

## Porque a equilibragem de uma máquina com folgas não se mantém

A equilibragem assenta em dois pressupostos: o sistema é linear e constante ao longo do tempo. Coloca-se uma massa de teste de valor conhecido a um raio conhecido, o instrumento observa como o vetor 1x mudou — amplitude e fase — e obtém o coeficiente de influência. A seguir, resolve o problema inverso e devolve a massa e o ângulo de correção.

A folga quebra os dois pressupostos ao mesmo tempo. A rigidez da junta depende da amplitude: com um curso pequeno o pé assenta na superfície, com um curso grande separa-se. Um coeficiente de influência obtido a uma amplitude não funciona noutra. Além disso, muda de arranque para arranque, acompanhando o aperto e a temperatura.

Na prática, isto reconhece-se pelos sintomas. O arranque de teste dá uma reação estranha, a correção calculada não bate certo com a realidade. Depois de colocar a massa, a vibração desce metade do prometido, e uma massa de afinação puxa o vetor para um terceiro lado. Quatro tentativas de afinação em vez de uma indicam quase sempre que a mecânica foi ignorada.

Pior ainda: aqui a equilibragem pode piorar o quadro. Uma massa calculada para uma máquina deformada por pé mole transforma-se em desequilíbrio a mais exatamente no momento em que se coloca o calço e a carcaça volta à forma. E se o assento do impulsor estiver solto, a massa nem sequer se mantém numa posição angular constante: o cubo rodou alguns graus, e a correção fica agora onde não foi calculada.

E há a questão da segurança. Não se deve levar às rotações de trabalho uma máquina com uma fissura na estrutura ou com uma ancoragem a rodar, nem acrescentar-lhe a massa de um peso de teste. Primeiro a fixação, depois as massas.

> Equilibrar com uma folga já identificada só é correto como medida temporária até à reparação programada, por acordo e com registo no relatório. Nesse caso, combina-se desde logo que o resultado dura até à reparação da base, não durante meio ano. Mais pormenores sobre porque é que o nível volta, no artigo sobre a vibração que voltou depois da equilibragem.

## Uma ronda numa única passagem, e onde podemos ajudar

A ordem é simples e quase sempre a mesma. Primeiro restaura-se as juntas e a geometria, depois verifica-se o alinhamento de eixos, e só depois se equilibra. Assim, a equilibragem cabe numa única intervenção, os coeficientes de influência saem estáveis, e o resultado mantém-se.

Os engenheiros da AXILINE desenvolvem e fabricam os instrumentos Balanset e utilizam-nos também para equilibrar no local. Ao chegar ao local, não começamos pelas massas. Primeiro dois acelerómetros nos apoios de rolamento, vibração total versus 1x, espectro, sinal no tempo e fase em três arranques. Depois a chave, o apalpa-folgas e o relógio comparador. Se a vibração for causada por uma folga ou por um pé mole, sabe-o antes de pagar por uma equilibragem que não se manteria.

O instrumento pode ser adquirido para fazer a ronda com meios próprios. O Balanset-1A é um analisador-equilibrador de vibração portátil de dois canais: dois acelerómetros, um sensor laser de fase por marca refletora, um módulo USB de dois canais com pré-amplificadores, integradores e conversor A/D, software para Windows. Mostra a vibração total e a 1x lado a lado, a fase, a velocidade de rotação, o espectro FFT e o sinal no tempo, e o arquivo permite reunir num único relatório as medições de antes e depois do aperto. O passo seguinte, quando a fixação está em ordem, é a equilibragem a um e dois planos, posições fixas, cálculo da furação, coeficientes de influência guardados, equilibragem trim (afinação com uma massa pequena) e cálculo da tolerância pelas classes de precisão G segundo a ISO 21940-11. Existe uma variante Balanset-1A OEM sem mala, para integração em máquinas e bancadas. O apoio de consultoria está incluído.

Sobre os limites, digamos com clareza. O instrumento calcula o valor eficaz (RMS) da velocidade de vibração na banda de 5–200 Hz: os harmónicos e os harmónicos fracionários da folga veem-se bem aí, e isso basta para decidir «fixação ou rotor». Os defeitos incipientes de rolamentos situam-se mais acima, na zona dos quilohertz, e exigem um analisador com via de alta frequência. Já o pé mole, nenhum instrumento o encontra. Quem o encontra é o relógio comparador nas mãos de alguém que não teve preguiça de desapertar um parafuso.

- [x] Ferramentas: chave com o binário correto, jogo de apalpa-folgas a partir de 0,03 mm, relógio comparador com base magnética, martelo, lanterna, tinta para marcações, jogo de calços inoxidáveis.
- [x] Medição inicial: vibração total (nível geral em todas as frequências) e 1x em cada apoio de rolamento, na horizontal, na vertical e no sentido axial, mais a fase. Este é o seu ponto de referência, sem ele não há nada para comparar.
- [x] Ronda com a chave: parafusos da máquina à estrutura, da estrutura à fundação, das tampas dos apoios de rolamento, do resguardo, da metade do acoplamento. Marque com tinta à medida que aperta.
- [x] Apalpa-folgas no contorno de cada pé, com os parafusos apertados, nos quatro lados. Registe onde entrou e a que profundidade.
- [x] Relógio comparador: desaperto dos parafusos um a um, valor do levantamento em cada pé, critério de 0,05 mm ou mais rigoroso conforme a documentação.
- [x] Teste do martelo: estrutura, soldaduras, argamassa de nivelamento, pilares de apoio. Preste atenção à diferença de som; uma zona abafada indica um vazio ou uma fissura.
- [x] Inspeção: fissuras nas soldaduras e nos cantos da estrutura, marcas de fretting e de rotação nos assentos, estado dos isoladores antivibráticos, tubagens e cabos apertados.
- [x] Medição final: o mesmo ponto, o mesmo sensor, a mesma direção, o mesmo regime. Compare com a medição inicial e decida se a equilibragem é sequer necessária.
- [x] Relatório: o que foi reapertado, onde se encontrou folga, quanto se acrescentou de calço, como mudou a vibração. Caso contrário, um mês depois ninguém se lembra do que já foi verificado.

Sources: [ISO 20816-1:2016](https://www.iso.org/standard/63180.html) · [ISO 21940-11:2016](https://www.iso.org/standard/54074.html) · [ISO 13373-3:2015](https://www.iso.org/standard/40840.html) · [Manual de operação Balanset-1A](https://vibromera.eu/balanset-1a-operation-manual/) · [Especificações do fabricante Balanset-1A](https://vibromera.eu/product/balanset-1/)

## Perguntas frequentes

**Em que é que o pé mole difere das folgas nas fixações?**

A folga é a ausência de junta: o parafuso está livre, o pé levanta-se, a folga funciona como uma dobradiça. O pé mole é o oposto em termos de sentido: a junta existe, e sob tensão. Os parafusos estão apertados, mas a geometria não coincide, e a máquina fica inclinada, como uma mesa num chão irregular. Dentro da carcaça vivem tensões residuais, os alojamentos dos rolamentos perdem a coaxialidade, a rigidez dinâmica do apoio muda. A folga ouve-se com o martelo, o pé mole só se vê com o relógio comparador.

**Que tolerância para o pé mole se deve considerar normal?**

Referência de trabalho do setor: um levantamento do pé até 0,05 mm ao desapertar o parafuso é considerado aceitável para a maioria das máquinas industriais. Para máquinas de alta velocidade, acionamentos de precisão e máquinas com entreferro pequeno, usa-se um valor mais rigoroso, 0,02–0,03 mm. Isto é uma referência, não a norma para a sua máquina. O valor exato é definido pela documentação do fabricante, e na receção contratual deve fixar-se essa documentação, e não a regra geral.

**É possível verificar o pé mole sem relógio comparador, só com o apalpa-folgas?**

O apalpa-folgas encontra a folga, mas não mostra a deformação. Funciona bem no pé paralelo e no angular: passa-se o apalpa-folgas de 0,05 mm pelo contorno da base com os parafusos apertados, se entrar, há folga, e pela profundidade percebe-se a forma. Já o pé esponjoso, com uma pilha de calços, e o pé sob tensão, causado por uma tubagem apertada, o apalpa-folgas não os deteta: aí a base assenta bem, mas a carcaça continua a ser puxada. Comece com o apalpa-folgas, termine com o relógio comparador.

**Reapertámos todos os parafusos e a vibração não mudou. Significa que não há folga?**

Não significa. A verificação por reaperto cobre apenas um tipo de folga, a perda de pré-carga numa ligação aparafusada. Um assento de rolamento gasto na carcaça, um cubo de impulsor que rodou, uma fissura na soldadura, uma argamassa epóxi de nivelamento descolada e isoladores antivibráticos assentados não se corrigem com o aperto nem reagem a ele. Percorra os restantes pontos da ronda: relógio comparador nos pés, teste do martelo na estrutura e na argamassa de nivelamento, inspeção dos assentos à procura de marcas de fretting e de rotação.

**A folga elevou a 1x. Como distingui-la de um desequilíbrio real?**

Observe três coisas. Primeira: a repetibilidade da fase de 1x. O desequilíbrio mantém a fase dentro de ±5° de arranque para arranque, a folga faz-a variar dezenas de graus. Segunda: a direcionalidade. O desequilíbrio dá amplitudes comparáveis nas direções radiais, a folga destaca claramente uma direção. Terceira: a reação ao aperto. Uma alteração superior a 20–30% depois de reapertar uma junta significa que encontrou a origem, e não o rotor.

**É possível equilibrar a máquina se a folga foi encontrada, mas a reparação da fundação está adiada?**

Por vezes sim, mas só como medida temporária e consciente. Combine antecipadamente que o resultado dura até à reparação, e registe isso no relatório junto com os defeitos encontrados. Do ponto de vista técnico, espere o pior: o arranque de teste dará uma reação instável, a correção não vai bater certo à primeira tentativa, e depois de restaurada a rigidez as massas terão de ser recalculadas. O trabalho numa máquina com uma fissura na estrutura ou com uma ancoragem a rodar simplesmente não começa enquanto a fixação não for restaurada.
